Privilegiada por sua situação; entre o Mar, as Termas, a Serra do Rio do Rastro e o Planalto Serrano, Orleans é uma cidade de colonização italiana, que se destaca entre um complexo de cultura originada também por outras etnias.
Histórico
O casamento da Princesa Isabel com o Conde D’Eu deu início ao que, bem mais tarde, seria o município de Orleans. O casal recebeu de presente do imperador Dom Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina um lote de terra de 98 léguas, que poderiam ser escolhidas em Santa Catarina e no Recife (PE). Os noivos decidiram-se por uma área no vale do Rio Tubarão, por causa da descoberta de carvão mineral no lugar.
A demarcação abrangia os municípios de Orleans, parte de São Ludgero, Grão Pará, Rio Fortuna, Santa Rosa de Lima, parte de Anitápolis, Armazém, São Martinho e São Bonifácio. Foi decidida a implantação de uma estrada-de-ferro para atender à região carbonífera e em sua construção trabalharam imigrantes de diversas procedências: italianos, alemães, letões e poloneses.
Origem do nome: o nome "Orleans" e o local exato onde está a cidade foram escolhidos pelo próprio Conde D’Eu, em 26/12/1884, quando viajava pela estrada-de-ferro. Trata-se de uma homenagem à família do Conde, de nobres franceses.
Passagem, pela Rodovia SC-438, de todos aqueles que do Planalto Serrano se dirigem às Águas Termais e às praias do Sul do Estado. Igualmente obrigatório o trajeto para quem demanda das Termas e das praias em direção à fabulosa Serra do Rio do Rastro. Neste mesmo raio de 50 quilômetros, se incluem Urussanga, com sua tradição italiana, além de Criciúma e Tubarão, dois pólos às margens da BR-101, que é passagem obrigatória de argentinos, uruguaios, gaúchos, paranaenses e paulistas.
A cultura e a religiosidade caracterizam o município e estimulam o turismo. A Matriz Santa Otília destaca-se entre as principais igrejas do Estado. Sua construção foi iniciada em 1922 e por longo tempo a igreja ficou sem a torre. A obra foi concluída em 24/01/1960.
Há mais de três séculos o lugar é cercado de lendas e há registros sobre a existência de uma mina de prata ou de um provável tesouro nas imediações – os padres jesuítas teriam escondido ali grande quantidade de peças em ouro, prata e pedras preciosas. Parte das histórias e muitos documentos oficiais, alguns com mais de 200 anos de idade, foram transcritos pelo padre João Leonir Dall’Alba no livro “O Tesouro do Morro da Igreja”, em 1994.
Localização: Sul, na microrregião de Criciúma, a 180 km da Capital do Estado. Acesso: a partir da rodovia BR-101, seguir pelo rodovia SC-438; quem vem de Criciúma, o acesso a Orleans é pela rodovia SC-446. Municípios limítrofes: Grão Pará e Urubici (ao Norte), Lauro Müller e Urussanga (ao Sul), Braço do Norte, Pedras Grandes e São Ludgero (a Leste) e Bom Jardim da Serra (a Oeste). Área: 600,6 km². Altitude: 132 metros em relação ao nível do mar. População: 20.031 habitantes (0,37% de Santa Catarina), sendo 10.088 homens e 9.943 mulheres
(IBGE 2000). Eleitores: 15.406 eleitores (0,39% de Santa Catarina) (TRE 2003). CEP: 88870-000. Código DDD: 48. Clima: mesotérmico úmido, com verão quente. Temperatura média anual: 18,8°C. Colonização: italiana. Principais etnias: alemã, italiana, polonesa e portuguesa. Religião: predomina a religião Católica. Data de fundação: 26/12/1884. Data de criação: 30/08/1913, através da Lei nº 981. Data de instalação: 20/10/1913. Data festiva: 30 de agosto a 07 de setembro (Semana Cultural). Principais atividades econômicas: agricultura, indústria e comércio. Gentílico: orleanense.
Agricultura
Planejada no Império para ser uma colônia modelo, os técnicos engenheiros e agrimensores contratados pela Empresa Colonizadora dos Príncipes Conde d´Eu e Princesa Isabel, assim que dividiram a área em lotes, em 1880/1885, fixaram diretrizes para nortear o rumo do progresso e do desenvolvimento da região. Os lotes oferecidos eram de 48,4 hectares, com as seguintes medidas: 220 metros de frente por 2.200 metros de fundo. Hoje existem cerca de 1.800 estabelecimentos agrícolas, que tem média 20 hectares.
Seguindo a tradição implantada pela colônia estão ainda sendo cultivadas: milho, feijão, mandioca e cana-de-açúcar. Na fase inicial da colônia a industrialização na propriedade permitia maior rentabilidade. A farinha, o polvilho, o açúcar grosso e a cachaça proporcionava maiores resultados econômicos. Hoje o milho e a cana são utilizados mais para complementar a ração a bovinos, suínos e aves.
O fumo em folha representa atualmente um expressivo volume da renda de nossos agricultores. Implantado pela Cia. Souza Cruz há mais de trinta anos, este processo de plantio e secagem das folhas foi largamente difundido no município, alcançando hoje um número altamente expressivo de 1.700 estufas, considerando-se a existência de pouco mais de 1.800 estabelecimentos agrícolas. Orleans acha-se entre os primeiros produtores de fumo no sul catarinense. Apesar da destinação do produto, hoje tão combatido em todo o mundo, foi a cultura que permitiu a ocupação de todos os membros da família num cultivo assistido com a melhor tecnologia, possibilitando que as mesmas técnicas fossem aplicadas às demais culturas.
Na área comercial trouxe uma garantia de preço e ainda o pagamento dentro do prazo determinado, estabilizando assim a economia rural. Foi iniciada há algum tempo o cultivo de frutas e mais recentemente o cultivo de hortaliças sem agrotóxicos, um movimento da Escola Familiar Rural, recentemente criada.
Pecuária
Tão logo o colono se estabelecia, procurava limpar a área cujo mato havia sido derrubado pela empresa e iniciava a preparação das roças. Aproveitava a própria madeira para construir ou melhorar a casa de pau-a-pique. Tratava logo de cercar um piquete plantando grama e recebia da própria empresa uma vaca para produção de leite, algumas porcas para iniciar a criação, além de adquirir algumas aves nas colônias vizinhas, já desenvolvidas.
Chegou-se a esboçar a criação de avestruzes e de cavalos de raça, conforme correspondência recebida pela direção da colônia, mas nada se consolidou. O povoamento de gado e porco deu-se anteriormente através dos tropeiros que traziam da serra pelos caminhos primitivos, abertos pelos próprios tropeiros. Daí para frente foi uma questão de tempo, dedicação e sorte.
Se o começo se destinava à própria manutenção com leite, banha, ovos e carne, assim que a produção aumentava deu-se início a comercialização. A criação de gado, mesmo em pequena e média escala, é até hoje uma atividade bastante interessante para o agricultor. Ajuda na alimentação com o leite e o queijo, cria bois para o trabalho e tem sempre como reserva algum gado para vender. A suinocultura que antes era praticada pelos colonos com vistas ao consumo próprio e à comercialização hoje alcançou um grande avanço tecnológico. Nos últimos anos foi implantado em todo o país o sistema integrado na suinocultura e avicultura, demonstrando um melhor rendimento e uma produção de melhor qualidade.
Trata-se de frigoríficos que fornecem todo o apoio ao criador, antecipando os filhotes, a ração e a assistência sanitária até o recolhimento na época mais apropriada para o abate. Hoje existem no município criadores especializados na produção de matrizes as quais são repassadas aos criadores de porcos para engorda e abate. A avicultura, por sua vez, foi iniciada no município nos anos 1960, de forma pioneira no Sul do Estado.
Hoje, o município está entre os principais produtores de frangos e ovos. Prosperam ambas as atividades de forma bastante desenvolvida tecnologicamente, vinculadas aos diversos sistemas integrados de aves e suínos do Estado.
Indústria
Iniciado um processo industrial de apoio à colonização no final do Século XIX, foram as indústrias rurais e principalmente as alimentares que surgiram desde o início. Estabelecimentos para moagem de milho, engenhos para fabricação de açúcar e farinha, fábrica de banha para abate da produção de suínos e mais tarde as charqueadas para abate de bovinos. Houve ainda, no final do Século XIX e primeiras décadas do Século XX, expressivas vendas de carnes suínas salgadas e banha para o Rio de Janeiro, o que era feito via férrea até Laguna e via marítima até o destino final.
Paralelamente ao desmatamento para o plantio, nasciam as serrarias para desdobramento da madeira extraída das matas virgens. Aproveitando a grande quantidade de madeira serrada nasciam as marcenarias, atividade responsável pelo desenvolvimento de Orleans, principalmente nas primeiras décadas de sua emancipação política, ocorrida em 30/08/1913. A grande produção de móveis, esquadrias, tacos e assoalhos promoveu Orleans nas praças consumidoras de todo o Sul Catarinense e até mesmo em Porto Alegre.
Um período áureo das fecularias e engenhos de farinha de mandioca também liderou a economia no município, mas a insegurança do comércio exportador ocasionou sérios prejuízos para os produtores e até mesmo aos intermediários compradores.
Felizmente, graças a visão moderna de alguns empresários, as atividades industriais foram direcionadas a novos e importantes gêneros de indústria, principalmente o de embalagens plásticas, molduras, implementos agrícolas e carrocerias, além de grande produção de madeira beneficiada. São mais de 100 indústrias, entre médias e grandes, vendendo seus produtos para todo o território brasileiro e já se preparando para o Mercosul. Boa parte da mão-de-obra ocupada vem dos municípios vizinhos, tornando-se um polo industrial de grande expressão no Sul catarinense.
Comércio
Há bem pouco tempo, eram as famosas casas de fazendas, armarinhos e armazéns de secos e molhados, que resolviam o problema de abastecimento da população. A carne era fornecida pelos açougues e os pães e bolachas pelas padarias. O sistema foi se transformando e hoje a parte de alimentação se concentra nos supermercados, que rapidamente dominaram o abastecimento da população nos últimos vinte anos.
Em Orleans, grandes supermercados se encarregam do abastecimento de gêneros à população. Quanto ao vestuário, móveis e eletrodomésticos, um bom número de grandes lojas se encarrega desta tarefa. As cidades vizinhas também se abastecem do comércio de Orleans. Ainda com relação a móveis e eletrodomésticos, acham-se aqui sediada redes de lojas, uma delas com filiais em outros estados.
Distâncias rodoviárias
LOCAL DISTÂNCIA
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Santa Catarina
Araranguá.................. 68 km
Bom Jardim da Serra........ 36 km
Braço do Norte............. 21 km
Campos Novos............... 323 km
Capinzal................... 400 km
Catanduvas................. 400 km
Chapecó.................... 560 km
Cocal do Sul............... 26 km
Concórdia.................. 440 km
Criciúma................... 37 km
Curitibanos................ 253 km
Dionísio Cerqueira......... 765 km
Erval Velho................ 389 km
Florianópolis.............. 180 km
Gravatal................... 33 km
Içara...................... 47 km
Joaçaba.................... 370 km
Lages...................... 160 km
Lauro Müller............... 12 km
Navegantes................. 299 km
São Joaquim................ 82 km
São Ludgero................ 14 km
São Miguel do Oeste........ 630 km
Sombrio.................... 110 km
Tubarão.................... 51 km
Urussanga.................. 19 km